Quando dizemos, por brincadeira: “morro e não vejo tudo” é a pura verdade, ante fatos inusitados que nos vêm mostrar uma realidade que jamais imagináramos.
Refiro-me, especificamente, ao envelhecimento de portadores da Síndrome de Dawm. Pelo menos, eu jamais imaginei um grupo de especiais na terceira idade. Sempre os vejo crianças e jovens, nos ônibus ou na rua, como se eles não envelhecessem nunca.
O Grupo Vocal Floripa Canta foi convidado a se apresentar na APAE, no dia 4 de outubro. Pessoalmente, dentro da concepção que citei acima, imaginei que iríamos cantar para crianças excepcionais, mas ao chegarmos ao local, minha surpresa foi muito grande. Nosso Grupo estava sendo aguardado por adultos da Terceira Idade.
Devido ao mau tempo, estavam mais de vinte pessoas sorridentes e muito espertas, apertadas numa pequena sala, à nossa espera. O Grupo Vocal tem a proposta de cantar e animar e, ali, estava um punhado de pessoas receptivas e ávidas por cantar e dançar.
Foi uma tarde muito alegre, desde o início. Apresentamos nossas músicas, houve uma linda exibição de Tai-Chi-Chuan, pelas amigas Augusta e Salete, com elegante jogo de leques, ao estilo chinês; nosso amigo Donato animou a turma com sua harmônica e, então foi alegria geral.
Até a Lisiane, Coordenadora do Setor, tomou coragem e cantou Trem das Onze, acompanhada por todos: alunos, funcionários da Instituição e nosso Grupo. No repertório improvisado, foram cantadas músicas de Carnaval e cantigas de roda, que todos sabiam.
Após um lanche, cada um de nós recebeu uma lembrança ( um trabalho de colagem feita pelos alunos) e recebemos convite para um retorno logo que possível, o que foi aceito.
Saímos, todos, com a sensação de alma lavada por havermos levado tanta alegria àquelas pessoas tão especiais.
Texto: Ivonita Di Concilio
Fotos Donato Ramos